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O SACERDÓCIO NO SERVIÇO DA PARÓQUIA DE ALDOAR

Não sendo determinante o que apareceu primeiro, parece evidente que a comunidade envolvente de uma igreja é a comunidade dos filhos da Igreja ou comunidade dos fregueses (aqui a etimologia favorece a compreensão), pelo que, provavelmente, primeiro esteve a igreja e depois os seus fregueses (hoje paroquianos).

Mas sem os filhos da Igreja, permanece a questão: quem edificou a igreja?

E a questão perdurará pelos tempos…

Em Aldoar, abundam as referências a uma igreja (edifício) e elas remontam ao primeiro milénio da era cristã. As referências a uma comunidade envolvente (de filhos, fregueses) são menores. E muito mais recentes são as ligações de um pastor residente (pároco) a uma comunidade de filhos da igreja (paroquianos), nesta zona ocidental da Invicta cidade.

O primeiro pároco residente em Aldoar, após a instauração da República em Portugal, remonta a Julho de 1931 e foi ele Albino Leite, que aqui esteve até 1947. Anteriormente, dedicara-se à missionação em África; daqui partiu para paroquiar Campanhã (onde viria a falecer). Antes dele, Aldoar beneficiara do zelo pastoral dos párocos vizinhos (Nevogilde e Matosinhos). Foi durante a paroquialidade nesta paróquia que o Padre Albino aqui acolheu e animou um seu sobrinho a demandar o Seminário (sobrinho que mais tarde viria a ser Bispo do Porto - D. Armindo Lopes Coelho).

Seguiu-se-lhe o Padre António Manuel de Almeida Gomes, um padre que praticamente aqui iniciava a sua vida sacerdotal e de cuja juventude e dinamismo muito lucrou a comunidade aldoarense, que, então, iniciava uma fase de grande expansão, com a construção de bairros de habitação ligados a actividades laborais (serviços, telefones e transportes colectivos). Em Janeiro de 1956 partiu para S. Félix da Marinha (Vila Nova de Gaia), tendo aqui deixado o fruto de uma grande dedicação pastoral. Depois de outros serviços pastorais (Lordelo do Ouro e capelania hospitalar), viria a falecer no princípio deste milénio, no Padrão da Légua, em cujo Lar Paroquial então residia.

Durante 9 anos (entre 1956 e 1964) foi Joaquim da Conceição Pereira o pároco de Aldoar. Sendo um padre que aqui chegou já com larga experiência sacerdotal (curiosamente, vinha directamente de S. Félix da Marinha, numa troca com o Padre Almeida Gomes). Aqui faleceu, sendo sepultado na sua terra natal (S. Martinho de Bougado – Trofa). A ele se ficou a dever uma cultura de relação pessoal, próxima, com os seus paroquianos, característica assinalável numa fase em que aqui se ergueram três grandes bairros de habitação social (Manuel Carlos Agrelos, ou Aldoar, Fonte da Moura e Biquinha). A população residente aumentava tão significativamente e tão rapidamente quanto se perfilavam os desafios, porque, sobrando as carências, crescia a necessidade de favorecimento de novos enraizamentos.

O quarto pároco residente foi o Dr. Caetano António Pacheco de Andrade (entre Outubro de 1965 e Dezembro de 1974), um padre de cultura superior, com ligações ao ensino, e a quem se ficou a dever uma estruturação consistente da paróquia, simbolizada no início da construção de um novo e funcional templo sagrado. Outros desafios levaram-no a dedicar-se às letras e ao jornalismo (a que deu um tom marcadamente sacerdotal), tendo-se aí distinguido particularmente no período revolucionário e pós-revolucionário, desde o 25 de Abril e até ao virar da página do milénio. Agora residente no patriarcado de Lisboa (concretamente, em Alverca), o seu coração mantém-se como sempre o foi: sacerdotal e a pulsar com a sua diocese portucalense.

O 25 de Abril de 1974 quase coincidiu com a assunção das responsabilidades pastorais por parte do Padre António Luís Teixeira Mendes, um jovem que viria a sentir as dificuldades daquele período numa freguesia com vários bairros sociais e com conflitos que perdurariam. As contingências da época fizeram-no cancelar as obras de uma igreja que se iniciara pouco antes de lhe ser confiada a paróquia. Aqui sofreu e amou e muitos com ele sofreram e cresceram. Daqui partiu ele para enfrentar novos desafios em S. Pedro da Cova, sendo, presentemente, reitor da igreja privativa da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia do Porto.

Em Janeiro de 1985 chegou a Aldoar o actual pároco.
Não lhe compete a ele (que até sou eu) fazer memória deste período em que a paróquia e a sociedade passam por marcadas e marcantes transformações. Mas é sua obrigação afirmar que, aqui, quem faz Igreja (comunidade) e igreja (edifício) são os filhos da Igreja e todos os outros que pelos paroquianos se deixam abraçar.
E são muitos.
Antes havia uma igreja e outra se construía: agora há uma comunidade que construiu uma igreja e que é Igreja. Ele não está só, porque apesar das suas limitações e do seu temperamento, tem o coração com todos, muito embora por vezes possa parecer que não esteja para todos. Mas são muitos os que o reconhecem e, porque filhos e construtores da Igreja, ultrapassam as suas limitações e são a Igreja em marcha solidária: são todos aqueles que se dedicam ao serviço da Palavra, ao serviço da Liturgia, ao serviço da Caridade, ao serviço da Igreja, ao serviço de uma construção que é a Igreja de todos e para todos.
E, repete-se: são muitos e com abertura a muitos mais.
Com ele e com os padres que tiveram Aldoar por berço (Cónego António Joaquim da Costa Mota, falecido em 2004, Monsenhor Manuel da Costa Mota, Dr. Marcelino da Costa Mota e Padre Jorge Manuel da Cunha Ramos, da Prelatura da Opus Dei). Com ele e também com o Dr. António Augusto Oliveira Azevedo, com os padres dominicanos, com um diácono permanente (Engenheiro António Duarte Ferreira) e com um teólogo (Dr. Rui Miguel Mota Alves).
O próximo grande momento da paróquia poderá ser aquele em que todos verão o Rui Miguel no serviço da Palavra de Deus, no serviço do Altar e no serviço da Caridade. O ano da Missão poderá coincidir com a assunção por ele da nobilíssima missão.

A quantos de qualquer modo demandarem Aldoar ou as suas vias de comunhão e comunicação, aqui fica o desafio: se a causa comum é construção de todos, a Igreja, presente em Aldoar, a todos abraça e com todos quer construir vias de esperança…

 

Lino Maia

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